
Em 1957, o Verão nos Açores haveria de terminar com ribombos. Com efeito, entre os dias 16 e 27 de Setembro de 1957 sentiram-se na ilha do Faial mais de 200 tremores de terra de fraca intensidade. A 27 de Setembro, o faroleiro de serviço no farol mais ocidental da ilha do Faial viu com espanto a água do mar a borbulhar, a cerca de 1 quilómetro de distância da Ponta dos Capelinhos. No final do dia confirmou-se o já se esperava: iniciara-se uma erupção submarina de tão grande magnitude que esta acabou por originar uma ilha de escórias e cinzas vulcânicas.
Recordando a afronta feita em a 30 de Janeiro de 1811 pelo capitão Tillard da escuna inglesaSabrina - ao fazer desembarcar uma companhia de marinheiros numa décima ilha vulcânica, surgida nessa altura ao largo de São Miguel, no sentido de a reclamar para Sua Magestade Britânica - o jornalista do "Diário Popular" Urbano Carrasco arriscou a vida num barquinho a remos para colocar uma bandeira portuguesa nas cinzas basálticas da "Ilha Nova", evitando assim que os "estrangeiros" a tomassem - cumprido o desígnio patriótico nada evitou, contudo, que os sismos associados à erupção e a queda contínua de cinzas e materiais de projecção provocassem a destruição generalizada das habitações e campos no oeste do Faial, levando a que muitos dos afectados emigrassem em massa para os Estados Unidos, ao abrigo de um plano de emergência aprovado pelas autoridades americanas.
O vulcão manteve-se em actividade até Outubro de 1958, formando-se um istmo, que acabou por fazer a ligação da ilha à terra. O tremor associado ao vulcão e a queda de cinzas e materiais de projecção provocaram a destruição generalizada das habitações e campos do oeste do Faial.
Ao contrário da ilha Sabrina, que se afundou no mar passados seis meses de existência, levando consigo a Union Jack, o vulcão dos capelinhos ainda por lá continua, um mar de escória e piroclastos, uma paisagem lunar onde muitos teimam ainda em inscrever o seu nome num efémero de pedras soltas e cinza.
SABRINA
A VOLCANIC ISLAND, WHICH APPEARED AND DISAPPEARED AMONG THE AZORES, IN 1811
She of the ocean, say, whence comest thou?
The smoke thy dark throne, and the blaze round thy brow;
The voice of the earthquake proclaims thee abroad,
And the deep, at thy coming, rolls darkly and loud.
From the breast of the ocean, the bed of the wave,
Thou hast burst into being, hast sprung from the grave;
A stranger, wild, gloomy, yet terribly bright,
Thou art clothed with the darkness, yet crowned with the light.
Thou comest in flames, thou hast risen in fire;
The wave is thy pillow, the tempest thy choir;
They will lull thee to sleep on the ocean's broad breast,
A slumb'ring volcano, an earthquake at rest.
Thou hast looked on the isle — thou hast looked on the wave —
Then hie thee again to thy deep, watery grave;
Go, quench thee in ocean, thou dark, nameless thing,
Thou spark from the fallen one's wide flaming wing.
Lucretia Davidson (1808-1825)
Capelinhos, Açores. Fuji Provia 400 F

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