E o que é a noite?
É a escuridão que se aproxima lentíssima
- como se viesse de outra era geológica,
é a penumbra glauca a chegar sempre demasiadamente tarde para qualquer coisa, a comprimir-nos o peito numa ansiedade antecipada, os olhos perdidos no piscar intermitente de aviões que partem para qualquer sítio, na condição expressa desse qualquer lado ser mesmo qualquer lado que não aqui,
- nesta fila de automóveis,
de não ser aqui,
- neste aquário de meia dúzia de metros quadrados, de 2 por 3, em formato open space,
nesta cela de clausura onde ligamos o piloto automático, sem nunca olhar olhos nos olhos o nosso companheiro de viagem até ao quarto andar, de não ser aqui,nesta varanda em que, espectador casual, sinto saudades dos sargos que caçava
- e assava,
com um fio de limão e manteiga, sobre as brasas estivais de um verão todo ele particípio passado, a ressumar outros futuros,
- futuros mais que imperfeitos
que se fecham na gaveta para a eternidade que não temos.
É a escuridão que se aproxima lentíssima
- como se viesse de outra era geológica,
é a penumbra glauca a chegar sempre demasiadamente tarde para qualquer coisa, a comprimir-nos o peito numa ansiedade antecipada, os olhos perdidos no piscar intermitente de aviões que partem para qualquer sítio, na condição expressa desse qualquer lado ser mesmo qualquer lado que não aqui,
- nesta fila de automóveis,
de não ser aqui,
- neste aquário de meia dúzia de metros quadrados, de 2 por 3, em formato open space,
nesta cela de clausura onde ligamos o piloto automático, sem nunca olhar olhos nos olhos o nosso companheiro de viagem até ao quarto andar, de não ser aqui,nesta varanda em que, espectador casual, sinto saudades dos sargos que caçava
- e assava,
com um fio de limão e manteiga, sobre as brasas estivais de um verão todo ele particípio passado, a ressumar outros futuros,
- futuros mais que imperfeitos
que se fecham na gaveta para a eternidade que não temos.
