2006/04/17

Empatias XIV





Com Stephan Micus, o compositor bávaro nómada por opção editado pela ECM, nada é o que parece ser.

Não se trata aqui da pseudo world music que há pouco entrou em moda, produzida por artistas nigerianos ou rwandeses obscuros para ser tocada em festas pseudo trance. Não. Aqui trata-se de um fulano que optou por vaguear pelo mundo inteiro - India, Japão, Indonesia, Coreia, Afeganistão, Marrocos, Algéria, Tunísia, Tailândia, Egipto, Burma, Sri Lanka, Turquia, Eua, Canadá, Israel, China, Gâmbia, Senegal, Nepal, Ladakh, Sinkiang, Venezuela, Tanzânia, Argentina, Peru, Gana, Mali, Jordânia, Georgia, Etiópia, Paquistão, Yémen, entre outros - com o único intuito de coleccionar instrumentos musicais e de os aprender a tocar in loco.

Trata-se de composições que aparentemente são executadas por uma orquestra, com vários instrumentistas e coros que podem atingir as 24 vozes mas que não são mais do que a síntese de cada instrumento tocado à vez e da voz do autor, repetida vezes sem conta e gravada num multipistas.

Stephan Micus dá-nos a ouvir instrumentos asiáticos como o sattar dos turqueménios, a flauta de bambu shakuhachi, a diruba indiana, o órgão japonês de sopro sho e o angklung de Java. De África chega-nos o som do instrumento de cordas de algodão sinding, as harpa bolombatto e doussn’ gouni ou a antiga flauta egípcia de cana nay. Outras vezes, os ritmos são criados por aquilo que lhe está mais à mão, seja pela utilização de vasos de flores cheios com água, seja pela percussão de pedras contra pedras.

Mesmo o que ele canta, à excepção de que se ouve em Athos, resultante do tempo que passou no mosteiro sagrado da Igreja Ortodoxa Grega, é uma língua ficcionada, visceral, que pulsa com a terra, o fogo, a água e o vento que vêem de brinde com cada álbum, juntamente com a fotografia excepcional.

Micus é das coisas que mais se ouve aqui por estes lados. E nunca cansa.

2006/04/12




Baía de Angra do Heroísmo, digital.

2006/04/03

Angra do Heroísmo...




... meia década a andar para trás.


Praça Velha, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores. Digital.