2007/01/18

Hic situs est





















A manhã estava enevoada e o rio lobrisgava-se em fímbrias, apenas, lá longe, por entre o cinzento da cidade. No final da descida, em tropel, um magote de duas ou três dezenas de alunos de arqueologia agrupava-se de encontro às vedações que delimitavam uma vala, em pleno processo da sua mediática abertura, algures numa rua estreita de Alfama.

Por entre o cano de esgoto que se rompia, deixando entrever a merda citadina a caminho do rio acima referido, de pés fincados no areão grosso, já bastamente remexido pela máquina liliputiana que se afadigava à volta do citado cano, a arqueóloga do Museu da Cidade contemplava embevecida uma vala escura, com cerca de dois metros e meio de profundidade, no interior da qual se entrevia um muro romano e uma qualquer superfície pintada, a ele adossada, junto ao alicerce do mesmo.

A voz saía-lhe pausada, triunfante até: isto tem muito material; muito material... e do bom!

Há material? E, não só há material, como é do bom? Isto deve ser do adiantado da hora. Olho para o relógio: são 11:25, já não durmo há mais de 29 horas. Olho para a vala, olho para a arqueóloga, olho para o cano, olho para a merda que corre pelo cano abaixo e tomo a única decisão sensata do dia: regresso a casa. Atrás de mim deixo o magote de aprendizes de arqueólogo de olhos bem abertos perante a perspectiva de haver material, material e do bom!, quiçá umas campanienses, talvez até coisa mais rara, helénica ou púnica, da boa. Afinal, de gustibus non est disputandum.

2007/01/17

De cortar os pulsos

Ouvir Coco Rosie às 02:50 da manhã.

2007/01/07

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2007/01/05

Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn,
Im dunkeln Laub die Goldorangen glühn,
Ein sanfter Wind vom blauen Himmel weht,
Die Myrte still und hoch der Lorbeer steht,
Kennst du es wohl?

Dahin! dahin
Möcht ich mit dir, o mein Geliebter, ziehn.
Kennst du das Haus? Auf Säulen ruht ein Dach,
Es glänzt der Saal, es schimmert das Gemach,
Und Marmorbilder stehn und sehn mich an:
Was hat man dir, du armes Kind, getan?
Kennst du es wohl?

Dahin! dahin
Möcht ich mit dir, o mein Beschützer, ziehn.
Kennst du den Berg und seinen Wolkensteg?
Das Maultier sucht im Nebel seinen Weg;
In Höhlen wohnt der Drachen alte Brut;
Es stürzt der Fels und über ihn die Flut,
Kennst du ihn wohl?

Dahin! dahin
Geht unser Weg! o Vater, laß uns ziehn!


Goethe