2008/06/21
2008/06/19
Much ado about nothing
Acabou o circo da bola, felizmente. À imagem do país, acharam-se os maiores e acabaram a morrer a 4 quilómetros da praia, sem energia positiva ou bandeirinhas nos carros que os salvassem, sem que mesmo um ego inchado, não consubstanciado em musculatura e cabeça, fosse capaz de os fazer boiar até à costa ou que o putativo melhor jogador do mundo fosse suficiente para fazer crer ao comum dos cidadãos que algum dia será possível não acabar em último ou no pelotão de trás da Europa, esse mesmo onde temos lugar cativo há séculos, pobre país periférico e bacoco que se sonha grande e acorda flácido e murcho.
E agora, que o circo fechou as portas para nós, será que dá para, por favor, voltar à realidade de merda que é este país e tentar ainda ver se é possível salvar algo, por pouco que seja?
Obrigado.
E agora, que o circo fechou as portas para nós, será que dá para, por favor, voltar à realidade de merda que é este país e tentar ainda ver se é possível salvar algo, por pouco que seja?
Obrigado.
2008/06/13
Promunturium magnum
Ontem passei metade do dia a escalar para cima e para baixo estas penedias.
Paradísiaco, não é? É pois, especialmente quando o mar está assim estanhado e se está sozinho por entre a esteva e o mato maninho. E, contudo, há precisamente 371 anos, 7 meses, 12 dias e 4 horas atrás, morreram aqui nesta praia cerca de 450 pessoas. Ninguém diria, pois não?
2008/06/11
Everything is connected
Lembram-se do Mad Max, com o Mel Gibson? Eu não me lembrava. Pelo menos, não me lembrava até ver as filas de automóveis parados, uns atrás dos outros, em todas as estações de serviço porque passei ao longo da Marginal: São Pedro, Oeiras, Paço de Arcos... e era meia noite e picos, hora a que usualmente só acorrem a esses não-lugares os precocemente embriagados ou a malta que se esqueceu de comprar o maço de tabaco à tardinha.
Não sei se faltará muito para andarmos a roubar e a matar por gasolina. O que eu sei é que nunca pensei ver escolta policial a acompanhar camiões-cisterna. É quase, quase, como se estivessemos no Iraque ou, quiçá, nas wastelands pós-apocalípticas em que rodaram o Mad Max.
Não sei se faltará muito para andarmos a roubar e a matar por gasolina. O que eu sei é que nunca pensei ver escolta policial a acompanhar camiões-cisterna. É quase, quase, como se estivessemos no Iraque ou, quiçá, nas wastelands pós-apocalípticas em que rodaram o Mad Max.
2008/06/09
2008/06/07
Energia positiva?

Isto de não se ver televisão tem destas coisas. É que só hoje é que dei pelo anúncio da GALP, em que uma catrefada de gente anónima se põe a empurrar um autocarro cheio de jogadores conhecidos, atravessando meia Europa, por entre estepes espanholas e passos pirenaicos, ao Sol e à neve, caindo e tropeçando, enquanto lá dentro os jogadores escutam música ou olham displicentemente a paisagem.
Olha-se e não se acredita. Que raio de agência publicitária é que congeminou isto e quem raio na GALP é que o aprovou?
Em todo o caso, tiro o chapéu à pontaria. Em plena crise de desconfiança do consumidor quanto aos lucros que a GALP extrai com a "crise do petróleo" nada como se gastar uns bons milhões a filmar anúncios destes enquanto o comum dos automobilistas se acha no limiar de ter que fazer aquilo que a GALP tão bem prenuncia no anúncio: empurrar o carro à mão por não ter dinheiro com que atestar o depósito.
2008/06/02
Sermão aos peixes que ficaram por pescar
Os pescadores queixam-se que o gasóleo está caro. Eu concordo: acho o mesmo.
Os pescadores queixam-se que vendem o peixe barato demais, a 1 euro ou menos o quilo. Eu acho o contrário: vou à praça e ao supermercado e não vejo nada que custe menos de 7 a 8 euros o quilo.
Os pescadores fazem greve na pesca e esperam que a falta de peixe "fresco" nas bancas alicie os consumidores para o seu lado. Acham mal. Primeiro, porque "peixe fresco" é como as bruxas: há quem conheça quem uma vez as tenha visto, em noites de luar e a cavalo numa vassoura mas, provas concretas da sua existência, não há. No que toca a peixes, o que há são sempre uns bicharocos de olhos artificialmente brilhantes e de guelras apinocadas com uns pózinhos de perlim pim pim a enganar o freguês que não tem a sorte de conhecer um macanudo qualquer que tenha uma chata na Ericeira ou na Arrifana.
Para mim, peixe fresco era o que arpoava nos Açores e que passava pelas brasas 5 minutos depois de ter saído do mar. A partir daí, peixe em casa só congelado: não só é mais barato, como é alimentarmente mais seguro, já que os eventuais parasitas que continha morreram com a congelação.
Finalmente, não me parece que o petróleo, recurso energético não renovável (reparem no não renovável), venha a embaratecer. Parece-me até que, pelo contrário, virá a encarecer. Dantes, a nossa Frota Branca, pobre e remendada, sem dinheiro para motores e fuelóleo, velejava para o Canadá de forma ecológica e, principalmente, barata. Portanto, um conselho aos nossos pescadores - aproveitam os próximos dias de inacção e reaprendam a andar à vela: é aí que reside o futuro. De todos.
Os pescadores queixam-se que vendem o peixe barato demais, a 1 euro ou menos o quilo. Eu acho o contrário: vou à praça e ao supermercado e não vejo nada que custe menos de 7 a 8 euros o quilo.
Os pescadores fazem greve na pesca e esperam que a falta de peixe "fresco" nas bancas alicie os consumidores para o seu lado. Acham mal. Primeiro, porque "peixe fresco" é como as bruxas: há quem conheça quem uma vez as tenha visto, em noites de luar e a cavalo numa vassoura mas, provas concretas da sua existência, não há. No que toca a peixes, o que há são sempre uns bicharocos de olhos artificialmente brilhantes e de guelras apinocadas com uns pózinhos de perlim pim pim a enganar o freguês que não tem a sorte de conhecer um macanudo qualquer que tenha uma chata na Ericeira ou na Arrifana.
Para mim, peixe fresco era o que arpoava nos Açores e que passava pelas brasas 5 minutos depois de ter saído do mar. A partir daí, peixe em casa só congelado: não só é mais barato, como é alimentarmente mais seguro, já que os eventuais parasitas que continha morreram com a congelação.
Finalmente, não me parece que o petróleo, recurso energético não renovável (reparem no não renovável), venha a embaratecer. Parece-me até que, pelo contrário, virá a encarecer. Dantes, a nossa Frota Branca, pobre e remendada, sem dinheiro para motores e fuelóleo, velejava para o Canadá de forma ecológica e, principalmente, barata. Portanto, um conselho aos nossos pescadores - aproveitam os próximos dias de inacção e reaprendam a andar à vela: é aí que reside o futuro. De todos.
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